Trajetória
No início, as Escolas de Samba se apresentavam circundadas por uma corda, com carregadores de lampiões que iluminavam o cortejo carnavalesco. Os recursos para o desfile eram captados com as famílias do bairro, que colaboravam financeiramente assinando o antigo “livro de ouro”. A Unidos da Tijuca, nessa época saía com carramanchão de seis a oito paus, contendo flores, guirlandas e enfeites de papel crepom. Na frente, vinha um componente vestido de bicho: sapo, burrinha e, em 1936, ano em que se sagrou campeã, um dragão. Este componente fazia a reverência, abrindo caminho entre o povo.
Logo atrás vinha um abre-alas com um menino carregando um cartaz. Depois vinham os palhaços tico-tico fazendo graça para o público. Só então vinha uma comissão de frente trajando terno de cetim. Depois veio a fase do simbolismo nacionalista, com quatro damas antigas, cada uma vestindo uma cor da Bandeira Nacional.
As baianas, vestidas de cetim e algodão, desfilavam pela lateral da agremiação em ala no formato de procissão, ocupando os espaços. A seguir, vinha o casal com o pavilhão bordado à mão em ouro e azul-pavão. Na seqüência, atrás do mestre-sala e da porta-bandeira, saíam pessoas formando o coro da Escola, que sustentava o canto, toda a diretoria e os ritmistas da bateria, com pandeiros, tamborins, cuícas, um surdo, um tarol, uma viola e um cavaquinho.
Na década de 40 e 50 ocorreram dissidências e foram fundadas outras agremiações, como as extintas Estrela da Tijuca e Recreio da Mocidade, e a ainda existente Império da Tijuca, todas formadas por ex-integrantes da Unidos da Tijuca. A Escola passou então por crises internas e por muitas dificuldades e, em 1959, desceu para o segundo grupo, sofrendo um grande esvaziamento.
A Reestruturação da Escola
Nos anos 70, os dirigentes começaram a virar essa situação buscando gente nova para recuperar o prestígio da Escola. Com o assessoramento dos antigos e a comunicação com a comunidade, a agremiação melhorou significativamente seus resultados nos concursos. Nesse período, outros artistas contribuíram com a ascensão da Escola. Dentre eles, Laíla (o da Beija-Flor), filiou-se à Unidos da Tijuca. Paulo César Cardoso apresentou enredos mais modernos e nacionalistas e Renato Lage criou cenografias fantásticas, aliando o tradicional ao moderno, fazendo com que, em 1980, a agremiação retornasse ao primeiro grupo, depois de amargar 22 anos no Grupo de Acesso.
Porém, nessa década, a Unidos da Tijuca, passou outra vez por dificuldades e freqüentou alternadamente por mais dois anos o Grupo de Acesso, em 85 e em 87. A última vez que foi rebaixada foi em 1998, quando apresentou o enredo em homenagem ao navegador e time Vasco da Gama. Mas no ano seguinte deu a volta por cima no Acesso A, fazendo um brilhante carnaval com um samba-enredo considerado um dos mais bonitos de todos os tempos: “O Dono da Terra”, exaltando o índio brasileiro, sua cultura e suas lendas. Voltou ao Grupo Especial em 2000 com um grande desfile que a classificou entre as cinco melhores, permitindo seu retorno, depois de tantos anos, ao Desfile das Campeãs.
A partir de 2004, com a contratação do carnavalesco Paulo Barros, a Unidos da Tijuca surpreendeu e conquistou o público e a imprensa, garantindo o seu lugar entre as primeiras colocadas, apresentando a cada ano magníficos e admiráveis carnavais. Ocorreu, então, o resgate da auto-estima do tijucano, que começou a acreditar mais de sua Escola, ao mesmo tempo em que a agremiação ganhou novos adeptos, passando a ser vista por todos com o merecido reconhecimento e respeito.
A Unidos da Tijuca se estruturou e se solidificou, sendo hoje uma das Escolas mais aguardadas da Sapucaí. Aplaudida pelo público e pela imprensa, passou a integrar, consecutivamente, o elenco das Escolas do Desfile das Campeãs, conseguindo ótimas colocações no grupo de elite do Carnaval carioca.
Ousadia e Inovação
A Unidos da Tijuca sempre foi uma Escola de Samba pautada na ousadia e na inovação. Alguns pesquisadores registram que ela foi a primeira Escola a apresentar no desfile carros alegóricos e alas fantasiadas e também a primeira a ter um samba-enredo gravado em disco.